Bem... gostaria primeiramente de agradecer a todos que leram o meu blogerum... principalmente a postagem passada. Para quem ainda não percebeu... No meio das minhas últimas postagens, eu mesmo me fiz personagem para um conto que escrevi. Sim, é o conto em que eu fico no ponto de ônibus. Para quem ainda não descobriu ou descobriu, o nome do Conto é Depois da Meia Noite. Bem... Irei postá-lo por inteiro aqui... Vocês verão que parece mesmo várias postagens deste blogerum... Eu o fiz assim... Mas chega de enrolatio e vamos ao conto. Os X-X-X significam nova postagem, ou outro dia...
Depois da Meia Noite
Ao descer do ônibus, como sempre, sentei-me no banco do ponto para esperar o outro ônibus que me levaria para casa. Já era meia noite. Pela décima vez passou aquela grande mariposa voando. Era muito bonito, tenho que admitir, o modo como ela voava naquela escuridão. É normal que tenha mariposas voando pela rua, afinal, o ponto em que espero o ônibus é perto do Parque Celso Daniel. Na semana passada, até passou um morcego voando! Parecia que me observava. Eu também o observava, enquanto voava ao redor da árvore da FISK.
O engraçado é que hoje a mariposa até voou ao meu redor. O mais interessante é que não tive medo, nem fiquei afobado com aquele bicho circundando-me. Mas logo continuou o seu vôo até o parque, borboleteando através da rua e sumindo na escuridão. Logo depois, o meu ônibus (Ribeirão Pires/ Ouro Fino) despontou na avenida e assim logo estaria em casa. Fiz o sinal e logo embarquei no ônibus. Cumprimentei o motorista com um “boa-noite”, também o cobrador e sentei-me no banco. O ônibus estava parado ainda na FISK e o morcego apareceu novamente.
X-X-X
Após falar “boa-noite, seu T.”, desci do ônibus branco para esperar o ônibus azul e assim, chegar em casa. A mariposa estava passando. Voava graciosa como sempre e logo sumiu na escuridão. Olhei no relógio. Faltava cinco para meia-noite. Estava sozinho no ponto, o que era normal. O movimento no trânsito estava péssimo, não passava uma alma viva.
Reparei que dobrava a esquina uma mulher. Não era velha não, aparentava vinte ou vinte e dois anos. Trajava um bonito vestido azul. Eu já falei pra vocês que a cor azul é uma das minhas favoritas? Só perde mesmo para o roxo! Retornando (ou seja, fechando o parêntese), a moça era muito bonita. Os cabelos negros brilhavam sob a luz do luar. Calçava um tênis qualquer e vinha em minha direção. Pensei que passaria direto, porém parou no ponto e disse-me:
- Boa noite. O senhor sabe onde fica a Rua das Figueiras?
- Claro – respondi – Vire à esquerda, a terceira rua.
Bem, um dos motivos pelo qual desço naquele ponto é simples: o CEFAM era ali por perto, na Rua das Figueiras. Então, quando tinha que receber, ia para o banco que ficava na esquina, perto do hospital, em frente ao Parque Celso Daniel. E na hora de almoço, de vez em quando passeava naquela região. A mulher parecia que me admirava. Percebi que a face dela era de uma tonalidade clara, uma vez que aquelas luzes laranja fazem a todos parecerem laranja!
- Ah! Eu sempre fico perdida por aqui! Acabei de me mudar. – disse a mulher cortando as minhas digressões.
- Eu estudei por aqui algum tempo... Logo você, digo, a senhora se acostumará.
- Pode usar você mesmo, não sou tão velha assim, desde que eu também o chame por você.
- Ok. Combinado. Você mora onde?
A mulher acabou de se sentar ao meu lado. Os seus cabelos negros mexiam com a suave brisa que passava. O meu cabelo já estava aquela maravilha. Como diz minha mater, fica sempre com a franjinha, me fazendo parecer um retardado. Percebi que a moça olhava perdidamente para o parque. Nisso, despontou o meu ônibus. Disse em quase inaudível “tchau”, fiz o sinal e embarquei no ônibus. Como estava cansado! Queria a minha cama!
X-X-X
Ao descer do ônibus, vi a mariposa passar. Até lembrei da músicorum: estava à toa na vida, o meu amor me chamou pra ver a banda passar tocando coisas de amor... O luar estava magnífico. Admirei um pouco o luar, distraído, pois o meu ônibus ira demorar pra passar. Ouvi o apito do segurança da rua. Lá vinha ele com a sua moto e o seu apito. Normalmente ele ficava no ponto, mas fazia tempo que não aparecia. Cumprimentei-o e perguntei o motivo do sumiço e ele explicou que agora virava a noite, dia sim dia não. Ele também falou que fazia uns cinco dias, encontraram um homem morto num terreno baldio da Avenida Industrial. Parece que foi um travesti que o matou. O pescoço dele estava todo ensangüentado. Estranho né... Mas não comentaram muito esse fato. E ainda não identificaram o coitado. Isso o que dá freqüentar a Industrial (conhecida em Santo André por ser ponto de travestis). O segurança despediu-se e continuou a sua ronda. Nisso, sentei-me e continuei a esperar meu ônibus, que não demoraria muito. O morcego voltou a aparecer hoje. Distraio-me muito facilmente, ao ficar olhando o morcego, num percebi que um ônibus vinha, porém, virei e consegui dar o sinal.
X-X-X
Caros leitores sabiam que eu estou gostando de contar para vocês essas esperas que faço... É o momento mais digressivorum que tenho. E vamos a ele!
Ao descer do ônibus branco, sentei como de costume no banco à espera de meu ônibus. Tinha a impressão de que hoje ele demoraria. Intuição, talvez. Bem e estava eu a esperar aquele beneditus ônibus. Não passou o segurança, não passou nem morcego, nem mariposa. Estava um verdadeiro deserto aquela avenida. Não tinha nenhuma ambulância estacionada nem nada. Somente uma suave brisa bagunçava os meus já bagunçados cabelos. A lua permanecia no céu. E eu cantarolava (uma das minhas músicas eclesiásticas).
Começo a admirar a lua. É muito bom fazer isso, assim viajo em pensamentos. E ônibus iria demorar mesmo (deve ter passado mais cedo). Posso dizer que os meus sensores de presença estavam desligados. Pensava no que aconteceria no futuro, aproveitando a lua do presente. Nisso, fui acordado desse estado ômega por uma voz bonita e feminina perto de meus ouvidos.
- Boa noite!
Imagina o susto que eu levei. Meu cordium batia apressado. A moça que estava perdida outro dia aparecera novamente e estava rindo da minha cara com o susto que eu levei. Ela estava também muito bonita. Trajava um conjunto esportivo branco. Parecia que fazia cooper. Consegui ver os olhos azuis que ela tinha. Acho uma tonalidade muito interessante azul... Eu tenho, dependendo da luz ou do meu estado de humor, olhos castanhos claros ou um pouco verdes... Estranhorum não?
- Desculpe, eu não pude resistir. – disse em meio a um sorriso a mulher. – Acho que não fomos apresentados, sou Patrícia.
- Glauber. – respondi – mas da próxima vez, não me assuste.
- Tudo bem. Posso me sentar?
- Claro, Patrícia. Você não tem medo de praticar cooper durante a noite? – perguntei.
- Não... Sinto-me mais segura à noite. Não vê minha cor de musa do verão? – disse Patrícia levantando a manga do moletom e mostrando a sua cândida pele. – esperando o ônibus?
- Sim... Acho que o bendito passou mais cedo. Mas daqui a pouco (quer dizer, dez para a uma) passa outro. Você vive com seus pais?
- Não... Vivo sozinha. Eu sou dona do meu próprio nariz. – riu Patrícia – E você, sendo assim tão jovem, faz o que aqui tão tarde?
- Faço faculdade em São Paulo, Letras. Tenho de pegar dois ônibus para chegar em casa. Vê como sou forte? – fiz mais uma vez uma piada sem graça.
- Bobo! Você deve morar com seus pais. Estou certa?
- Você deveria ser vidente! Mas seria uma meia boca! Moro só com a minha mãe e minha irmã. Meus pais são separados.
- Se é chato, sabia? – disse num sorriso.
E que sorriso. Não tinha percebido que a face dela era tão bela. Os dentes brancos e bem cuidados. Os olhos azuis combinavam perfeitamente com o nariz delicado e a boca fina que tinha. Nossa! Ela é muito bela.
- Sempre me dizem isso. – respondi.
Então um momento de silêncio. Ela me analisava como o caçador analisa a sua presa. Fiquei até um pouco admirado de como brilhava o olhar daquela mulher. Porém, não ficaria muito mais tempo lá... O meu ônibus já vinha.
- Até outro dia e boa noite! – disse
- Com certeza até outra noite! – desejou Patrícia a mim.
X-X-X
Estava muito cansado. Quase cochilei no fretado. Não via à hora de chegar em casa. Porém (como tudo na vida tem um porém), o fretado estava atrasado (ou o meu ônibus adiantado) e novamente teria de esperar muito. Nem notei que a mariposa passava quando desci. Estava como morto-vivo. Estava viajante em busca do sonhado prêmio...
- Pensando na eternidade? – disse uma conhecida voz feminina.
Era Patrícia. Estava diferente. Os cabelos, antes negros, estavam loiros. Hoje não estava com a roupa de cooper, mas trajava um vestido leve e esvoaçante. Percebi isso ao olhar para trás, pois ela apoiava suas mãos em meus ombros.
- Não, na minha humilde cama mesmo. Estou morrendo de sono. Boa noite, Patrícia! – respondi.
Ela sentou-se ao meu lado. Parecia que me entorpecia. Estranho... Estava com a minha mochila a tiracolo, como sempre. Peguei as minhas chaves... Era tudo o que me restava.
- Com fome? – perguntei.
- Um pouco. – respondeu Patrícia.
- Eu já descobri tudo. Eu sei o que você é!
- A única coisa que você deve descobrir é que eu quero você.
- Que pena, isso lhe será negado. – disse sarcástico. Você tem mãos frias...
- Não diz o ditado de que quem tem mãos frias, o coração é quente?
- E quem tem mãos quentes, o coração é gelado... Ouvia isso todo dia no inverno...
- Renda-se. – disse Patrícia com a voz doce e inebriante – Seja meu...
- Pertenço somente a uma pessoa! – e segurei o chaveiro com mais força.
- Venha comigo para a eternidade... – disse Patrícia.
O semblante de Patrícia transfigurou-se. Os seus caninos cresceram. Seus olhos tornaram-se da cor do sangue.
- Eu já sabia que você era uma vampira. – disse.
- Não está com medo? Eu posso te matar!
Mostrei-lhe o meu chaveiro. Ela até riu, perguntou se eu a espantaria com chaves. Porém, do meio das chaves, retirei um crucifixo e empunhei-o. Imediatamente, o semblante voltou ao normal.
- Você estava me observando há dias, mariposa graciosa. – disse.
- E mesmo assim, você não me atacou? – perguntou a vampira.
- Você não me fez mal nenhum... Aliás, até me ajudou a passar o tempo à espera do ônibus.
- Você é doido! Sabia que corria risco de morte e mesmo assim, preferiu enfrentá-lo?
- Claro... Não quero fazer mal a ninguém... E agora, eu tenho certeza que já ouviu a reposta que queria... Tenho de ir... Se quiser, conversamos mais amanhã. E ficou boa a cor do seu cabelo.
Patrícia chacoalhou a cabeça e riu. Não podia acreditar na minha atitude. Eu já estava dentro do ônibus rumo à minha cama.
X-X-X
Era depois da meia-noite e eu desembarquei do fretado. Nisso vi uma mariposa graciosa passar voando. Olhei para ela e a admirei.
- Boa-noite, mariposa. – disse
A mariposa sumiu e logo uma voz fez-se ouvir, perto de minha nuca. Era uma voz feminina e conhecida.
- Boa noite, meu amigo.
Ao descer do ônibus, como sempre, sentei-me no banco do ponto para esperar o outro ônibus que me levaria para casa. Já era meia noite. Pela décima vez passou aquela grande mariposa voando. Era muito bonito, tenho que admitir, o modo como ela voava naquela escuridão. É normal que tenha mariposas voando pela rua, afinal, o ponto em que espero o ônibus é perto do Parque Celso Daniel. Na semana passada, até passou um morcego voando! Parecia que me observava. Eu também o observava, enquanto voava ao redor da árvore da FISK.
O engraçado é que hoje a mariposa até voou ao meu redor. O mais interessante é que não tive medo, nem fiquei afobado com aquele bicho circundando-me. Mas logo continuou o seu vôo até o parque, borboleteando através da rua e sumindo na escuridão. Logo depois, o meu ônibus (Ribeirão Pires/ Ouro Fino) despontou na avenida e assim logo estaria em casa. Fiz o sinal e logo embarquei no ônibus. Cumprimentei o motorista com um “boa-noite”, também o cobrador e sentei-me no banco. O ônibus estava parado ainda na FISK e o morcego apareceu novamente.
X-X-X
Após falar “boa-noite, seu T.”, desci do ônibus branco para esperar o ônibus azul e assim, chegar em casa. A mariposa estava passando. Voava graciosa como sempre e logo sumiu na escuridão. Olhei no relógio. Faltava cinco para meia-noite. Estava sozinho no ponto, o que era normal. O movimento no trânsito estava péssimo, não passava uma alma viva.
Reparei que dobrava a esquina uma mulher. Não era velha não, aparentava vinte ou vinte e dois anos. Trajava um bonito vestido azul. Eu já falei pra vocês que a cor azul é uma das minhas favoritas? Só perde mesmo para o roxo! Retornando (ou seja, fechando o parêntese), a moça era muito bonita. Os cabelos negros brilhavam sob a luz do luar. Calçava um tênis qualquer e vinha em minha direção. Pensei que passaria direto, porém parou no ponto e disse-me:
- Boa noite. O senhor sabe onde fica a Rua das Figueiras?
- Claro – respondi – Vire à esquerda, a terceira rua.
Bem, um dos motivos pelo qual desço naquele ponto é simples: o CEFAM era ali por perto, na Rua das Figueiras. Então, quando tinha que receber, ia para o banco que ficava na esquina, perto do hospital, em frente ao Parque Celso Daniel. E na hora de almoço, de vez em quando passeava naquela região. A mulher parecia que me admirava. Percebi que a face dela era de uma tonalidade clara, uma vez que aquelas luzes laranja fazem a todos parecerem laranja!
- Ah! Eu sempre fico perdida por aqui! Acabei de me mudar. – disse a mulher cortando as minhas digressões.
- Eu estudei por aqui algum tempo... Logo você, digo, a senhora se acostumará.
- Pode usar você mesmo, não sou tão velha assim, desde que eu também o chame por você.
- Ok. Combinado. Você mora onde?
A mulher acabou de se sentar ao meu lado. Os seus cabelos negros mexiam com a suave brisa que passava. O meu cabelo já estava aquela maravilha. Como diz minha mater, fica sempre com a franjinha, me fazendo parecer um retardado. Percebi que a moça olhava perdidamente para o parque. Nisso, despontou o meu ônibus. Disse em quase inaudível “tchau”, fiz o sinal e embarquei no ônibus. Como estava cansado! Queria a minha cama!
X-X-X
Ao descer do ônibus, vi a mariposa passar. Até lembrei da músicorum: estava à toa na vida, o meu amor me chamou pra ver a banda passar tocando coisas de amor... O luar estava magnífico. Admirei um pouco o luar, distraído, pois o meu ônibus ira demorar pra passar. Ouvi o apito do segurança da rua. Lá vinha ele com a sua moto e o seu apito. Normalmente ele ficava no ponto, mas fazia tempo que não aparecia. Cumprimentei-o e perguntei o motivo do sumiço e ele explicou que agora virava a noite, dia sim dia não. Ele também falou que fazia uns cinco dias, encontraram um homem morto num terreno baldio da Avenida Industrial. Parece que foi um travesti que o matou. O pescoço dele estava todo ensangüentado. Estranho né... Mas não comentaram muito esse fato. E ainda não identificaram o coitado. Isso o que dá freqüentar a Industrial (conhecida em Santo André por ser ponto de travestis). O segurança despediu-se e continuou a sua ronda. Nisso, sentei-me e continuei a esperar meu ônibus, que não demoraria muito. O morcego voltou a aparecer hoje. Distraio-me muito facilmente, ao ficar olhando o morcego, num percebi que um ônibus vinha, porém, virei e consegui dar o sinal.
X-X-X
Caros leitores sabiam que eu estou gostando de contar para vocês essas esperas que faço... É o momento mais digressivorum que tenho. E vamos a ele!
Ao descer do ônibus branco, sentei como de costume no banco à espera de meu ônibus. Tinha a impressão de que hoje ele demoraria. Intuição, talvez. Bem e estava eu a esperar aquele beneditus ônibus. Não passou o segurança, não passou nem morcego, nem mariposa. Estava um verdadeiro deserto aquela avenida. Não tinha nenhuma ambulância estacionada nem nada. Somente uma suave brisa bagunçava os meus já bagunçados cabelos. A lua permanecia no céu. E eu cantarolava (uma das minhas músicas eclesiásticas).
Começo a admirar a lua. É muito bom fazer isso, assim viajo em pensamentos. E ônibus iria demorar mesmo (deve ter passado mais cedo). Posso dizer que os meus sensores de presença estavam desligados. Pensava no que aconteceria no futuro, aproveitando a lua do presente. Nisso, fui acordado desse estado ômega por uma voz bonita e feminina perto de meus ouvidos.
- Boa noite!
Imagina o susto que eu levei. Meu cordium batia apressado. A moça que estava perdida outro dia aparecera novamente e estava rindo da minha cara com o susto que eu levei. Ela estava também muito bonita. Trajava um conjunto esportivo branco. Parecia que fazia cooper. Consegui ver os olhos azuis que ela tinha. Acho uma tonalidade muito interessante azul... Eu tenho, dependendo da luz ou do meu estado de humor, olhos castanhos claros ou um pouco verdes... Estranhorum não?
- Desculpe, eu não pude resistir. – disse em meio a um sorriso a mulher. – Acho que não fomos apresentados, sou Patrícia.
- Glauber. – respondi – mas da próxima vez, não me assuste.
- Tudo bem. Posso me sentar?
- Claro, Patrícia. Você não tem medo de praticar cooper durante a noite? – perguntei.
- Não... Sinto-me mais segura à noite. Não vê minha cor de musa do verão? – disse Patrícia levantando a manga do moletom e mostrando a sua cândida pele. – esperando o ônibus?
- Sim... Acho que o bendito passou mais cedo. Mas daqui a pouco (quer dizer, dez para a uma) passa outro. Você vive com seus pais?
- Não... Vivo sozinha. Eu sou dona do meu próprio nariz. – riu Patrícia – E você, sendo assim tão jovem, faz o que aqui tão tarde?
- Faço faculdade em São Paulo, Letras. Tenho de pegar dois ônibus para chegar em casa. Vê como sou forte? – fiz mais uma vez uma piada sem graça.
- Bobo! Você deve morar com seus pais. Estou certa?
- Você deveria ser vidente! Mas seria uma meia boca! Moro só com a minha mãe e minha irmã. Meus pais são separados.
- Se é chato, sabia? – disse num sorriso.
E que sorriso. Não tinha percebido que a face dela era tão bela. Os dentes brancos e bem cuidados. Os olhos azuis combinavam perfeitamente com o nariz delicado e a boca fina que tinha. Nossa! Ela é muito bela.
- Sempre me dizem isso. – respondi.
Então um momento de silêncio. Ela me analisava como o caçador analisa a sua presa. Fiquei até um pouco admirado de como brilhava o olhar daquela mulher. Porém, não ficaria muito mais tempo lá... O meu ônibus já vinha.
- Até outro dia e boa noite! – disse
- Com certeza até outra noite! – desejou Patrícia a mim.
X-X-X
Estava muito cansado. Quase cochilei no fretado. Não via à hora de chegar em casa. Porém (como tudo na vida tem um porém), o fretado estava atrasado (ou o meu ônibus adiantado) e novamente teria de esperar muito. Nem notei que a mariposa passava quando desci. Estava como morto-vivo. Estava viajante em busca do sonhado prêmio...
- Pensando na eternidade? – disse uma conhecida voz feminina.
Era Patrícia. Estava diferente. Os cabelos, antes negros, estavam loiros. Hoje não estava com a roupa de cooper, mas trajava um vestido leve e esvoaçante. Percebi isso ao olhar para trás, pois ela apoiava suas mãos em meus ombros.
- Não, na minha humilde cama mesmo. Estou morrendo de sono. Boa noite, Patrícia! – respondi.
Ela sentou-se ao meu lado. Parecia que me entorpecia. Estranho... Estava com a minha mochila a tiracolo, como sempre. Peguei as minhas chaves... Era tudo o que me restava.
- Com fome? – perguntei.
- Um pouco. – respondeu Patrícia.
- Eu já descobri tudo. Eu sei o que você é!
- A única coisa que você deve descobrir é que eu quero você.
- Que pena, isso lhe será negado. – disse sarcástico. Você tem mãos frias...
- Não diz o ditado de que quem tem mãos frias, o coração é quente?
- E quem tem mãos quentes, o coração é gelado... Ouvia isso todo dia no inverno...
- Renda-se. – disse Patrícia com a voz doce e inebriante – Seja meu...
- Pertenço somente a uma pessoa! – e segurei o chaveiro com mais força.
- Venha comigo para a eternidade... – disse Patrícia.
O semblante de Patrícia transfigurou-se. Os seus caninos cresceram. Seus olhos tornaram-se da cor do sangue.
- Eu já sabia que você era uma vampira. – disse.
- Não está com medo? Eu posso te matar!
Mostrei-lhe o meu chaveiro. Ela até riu, perguntou se eu a espantaria com chaves. Porém, do meio das chaves, retirei um crucifixo e empunhei-o. Imediatamente, o semblante voltou ao normal.
- Você estava me observando há dias, mariposa graciosa. – disse.
- E mesmo assim, você não me atacou? – perguntou a vampira.
- Você não me fez mal nenhum... Aliás, até me ajudou a passar o tempo à espera do ônibus.
- Você é doido! Sabia que corria risco de morte e mesmo assim, preferiu enfrentá-lo?
- Claro... Não quero fazer mal a ninguém... E agora, eu tenho certeza que já ouviu a reposta que queria... Tenho de ir... Se quiser, conversamos mais amanhã. E ficou boa a cor do seu cabelo.
Patrícia chacoalhou a cabeça e riu. Não podia acreditar na minha atitude. Eu já estava dentro do ônibus rumo à minha cama.
X-X-X
Era depois da meia-noite e eu desembarquei do fretado. Nisso vi uma mariposa graciosa passar voando. Olhei para ela e a admirei.
- Boa-noite, mariposa. – disse
A mariposa sumiu e logo uma voz fez-se ouvir, perto de minha nuca. Era uma voz feminina e conhecida.
- Boa noite, meu amigo.
Bem... Vocês devem ainda estar se perguntando o porquê da mariposa. A explicatio é simples: em Drácula de Bram Estoque, os vampiros podem se transformar em névoa, lobo, morcego e mariposa. Então, a mariposa era a vampira. Tive a inspiração deste conto depois da meia noite, quando ao esperar o meu ônibus para ir for laris, vi uma mariposa passando. Fiquei inspirado e deu nisso aí em cima! Espero que não tenham ficado irados comigo. Qualquer dúvida, reclamação ou ameaça de morte, estarei na Letras hoje.
Felicitatis: Consegui fazer a análise do Fábio hoje de manhã! Isso porque eu comecei a escrevê-la ontem no meu caderno e a digitá-la hoje! Aleluya!

4 comentários:
Eu não me lembrava que era no Drácula do Bram Stoker que vampiros podiam se transformar em mariposas, mas tinha certeza de já ter visto (ou lido) isso em algum lugar...
Poxa...eu fiquei "p" da vida! Hahaha..achei que era uma estória romântica (de certa forma é...drácula, né?). Mas eu achei que o final fosse diferente! buá
Ah! Desculpa qualquer coisa ontem! Deixa eu ler depois o conto que você estava escrevendo?
bjos
Isso não se faz: iludir seus pobres leitores com a possibilidades de uma cálida história de amor....
Mas de qualquer forma costei do conto.
Beijo e até sabe-se lá quando!
Ps: meu trabalho de literários ficou horrível, só que eu faço com o Zular.
olha que cretino! enganando (ou não ou em parte) os "caros leitores"...
mas tb me diverti com o conto. espero pelos próximos. Inté!
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